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Entrevista a Catarina Correia 


"Ser mais e melhor"

Catarina Correia optou pelo mundo da música desde que entrou nos escuteiros, e desde aí que a sua vida tem sido uma verdadeira "roda viva". Desde cantar no bar, do qual a sua mãe é proprietária, até chegar ao talent show da RTP 1, The Voice Portugal, em 2014 a luta não foi nada fácil. Passou por algumas peripécias, tendo mesmo chegado a querer desistir.
Catarina tem 18 anos, é natural do Alentejo, apaixonada por música, toca também piano e guitarra. Tem uma banda, da qual é guitarrista e já é autora de alguns temas originais tendo previsto o lançamento do próximo, para dezembro deste ano.
Já é fenómeno nas redes sociais e conta atualmente com cerca de 4220 subscritores no Youtube, 4588 likes no Facebook e 2931 seguidores no Twitter.
A experiência no The Voice, deixou-a com uma grande "bagagem" para o futuro, sendo que com isso ganhou prática no universo musical e enfrentou alguns dos seus medos.
Continuando a trabalhar no meio para alcançar os seus objetivos, Catarina é uma jovem artista disposta tudo para os alcançar.
Com a inocência dos seus 18 anos, e com a garra de quem quer vencer, chegou à entrevista com a guitarra às costas, pronta a dar tudo de si.

Raquel Ribeiro - Quando é que descobriu que a música a completava de certa forma, no fundo, que fazia parte de si?
Catarina Correira -
Foi em 2012, quando fui ao ACANAC [Acampamento Nacional] com os escuteiros, houve uma rodinha à volta da fogueira e desafiaram-me a ir cantar, eu sabia as músicas, e o "pessoal" adorou. Então, senti esse tipo de inspiração e comecei a escrever [músicas] e foi a partir dai.

R.R. Fale-me da sua primeira experiência para público, a nível musical.
C.C.
Estava na ESPAM, Escola Secundária Padre António Macedo, no Alentejo e tivemos uma atuação de natal, e eu fui cantar para o público, um original meu e um cover. Lembro-me perfeitamente, de toda a gente estar a "vibrar" comigo a cantar, e ver todos com isqueiros no ar [risos], a acompanhar-me e houve uma altura, e tudo, que cantaram comigo. Mas foi uma experiência boa. Um bocadinho de nervosismo ao inicio, enganei-me na guitarra mas pronto, correu bem.

R.R. A que estilo musical associa aquilo que faz?
C.C.
Eu não tenho estilo musical, canto de tudo, ou seja, para mim, ter um estilo musical é não dar valor a todos os artistas e a todos os estilos.
Naquilo que faço, opto por cantar aquilo que gosto de ouvir, isto é, posso cantar rock, como pop, [...]

R.R. Tem temas originais?
C.C.
Tenho.

R.R. Sei que também toca guitarra e piano, inclui muitos esses instrumentos naquilo que canta?
C.C.
Sim, inclusive tenho uma banda, onde eu toco guitarra, tenho também um baixista, baterista, um guitarrista de solo e um pianista, por enquanto.

R.R. A sua família apoia-a na sua opção pelo mundo da música?
C.C.
A minha mãe antes de conhecer o meu pai, tocava nos bailes, era o "ganha pão" dela, e conheceu o meu pai assim. Então, não queria que seguisse este ramo, porque andou nesta área durante muito tempo, dos treze aos vinte e dois anos, nessa altura foi quando teve o meu irmão e acabou por desistir.
Ela diz muitas vezes que não é isto que quer para mim, mas se é isto que me faz feliz ela aceita, e o meu pai vai atrás, porque afinal é a mãe que manda [risos].

R.R. Pelo que sei, participou no The Voice Portugal, em 2014, o que é que a levou a fazê-lo?
C.C
Eu tinha uma página no Youtube, e fui contactada por mensagem para participar com uma amiga minha, a Inês Gomes, em dueto mas pensei logo que seria complicado, porque ela é da Suíça e seria difícil vir comigo para o programa. Então enviei uma mensagem a perguntar se podia participar sozinha, disseram-me que sim, fui lá fiz o primeiro pré-casting e passei diretamente às provas cegas [primeira fase do programa, vista pelo público].
Já me tinha inscrito no Factor X, no ano anterior, em 2013, mas não tive oportunidade de fazer o casting, então esperei mais um pouco e acabei por ir ao The Voice.

R.R. Estava à espera de superar a primeira fase do programa?
C.C.
Sinceramente, não [risos]. Foi um pouco inesperado, porque o Mickael [Carreira, mentor da Catarina] virou mesmo no último momento e a música correu-me muito mal, as coisas não correram como eu queria ao inicio. Houve muitos percalços antes disso, um deles foi eu cair antes de entrar em palco, contei quatro escadas, em vez de contar cinco e acabei por me "estatelar" no meio do palco do The Voice, antes de começar a cantar, então não foi a melhor entrada, mas acabei por virar uma cadeira. Eu acho que ele estava com pena da minha queda, sinceramente [risos], porque toda a gente se riu lá dentro, mas foi engraçado...

R.R. E qual foi a sensação de literalmente no último segundo o Mickael ter virado a cadeira, tê-la escolhido para fazer para da equipa dele?
C.C. Não há explicação para este tipo de sentimento, foi uma libertação de adrenalina tão grande, que eu nem sabia o que é que devia de dizer, já nem me lembrava do meu nome, da minha idade, já não me lembrava de nada, só queria sair dali e ir gritar um bocado lá para fora, porque seria muito mau se eu começasse a gritar em cima do palco, portanto foi muito bom.

R.R. E o facto de ele ter sido o único a fazê-lo, deixou-a de algum modo desiludida ou achando que podia ter dado mais de si para que mais mentores o tivessem feito?
C.C.
O que importa é estar lá dentro. Aquilo que eu aprendi no programa, foi uma mais valia para aquilo que eu agora estou a criar. Pode ter virado só uma cadeira, mas ainda assim, fico feliz por isso, isto porque, éramos cento e vinte concorrentes, passaram sessenta, e eu passei. O que importa para mim é estar lá, seguir em frente e aprender.
Eu não tinha qualquer tipo de formação musical quando entrei, logo aí isso foi uma mais valia para mim.

R.R. Relativamente a isso, gostaria de ter ficado noutra equipa com outro mentor que não ele?
C.C. Não [decisiva]. Por acaso, já ia com a ideia de querer ficar com o Mickael, caso virasse mais que uma cadeira, queria mesmo ficar com ele [reforça].
Dizem muito que o Mickael tem aquilo que tem, por causa do pai, por ser filho de quem é (Mickael é filho de Tony Carreira), e eu acho isso errado e se ele fosse assim por causa do pai, não teria metade da carreira que tem e simplesmente seria o filho do Tony Carreira. Sempre me identifiquei com ele, sempre quis que ele virasse, achei que tinha muito mais aprender, sendo ele o meu mentor, do que qualquer outro, porque o meu estilo musical é mais parecido com o dele.

R.R. Posteriormente a ter seguido em frente no programa, quais foram as maiores dificuldades que encontrou?
C.C
Foi no Youtube. Isto porque, depois das atuações terem passado na televisão, foram para o Youtube e a quantidade de haters que eu ganhei, por assim dizer, foi enorme. Muita gente estava virada contra mim, dizendo que eu não deveria ter seguido em frente, e que a minha audição tinha sido uma "porcaria" e que nem devia ter chegado a essa fase.
As pessoas têm que entender que nós não estamos ali a fazer o que queremos, mas sim o que eles [produção do programa] querem. Aquilo é um programa de televisão, é um programa para ganhar audiências. São eles que escolhem as músicas, as nossas roupas e que nos maquilham, basicamente, são eles que fazem tudo.
Com tudo isso, fui muito abaixo, porque não tive liberdade de escolha, não consegui apresentar o meu trabalho como queria e sinto que as pessoas, de um modo geral, foram muito ingratas nos comentários que fizeram e naquilo que disseram sobre mim.
Depois do programa, inclusive deixei de cantar durante um ano para o meu canal na internet, deixei de fazer vídeos, e de ter qualquer tipo de comunicação com os meus "pseudo-fãs". Mas já estou a voltar [devagar] ao Youtube, já tenho os originais prontos, e os covers feitos. Possivelmente a partir de Dezembro tenho uma coisa nova no canal.

R.R. Chegou até à 2ªfase vista pelo público, as "Batalhas", o que é que acha que falhou para não ter seguido em frente?
C.C
Darem-me liberdade de escolha. A produção é que fez tudo, não me deixaram ter qualquer tipo de liberdade.
Na batalha, então, aquilo foi muito mau, porque a Catarina Alves (parceira da Catarina Correia na Batalha final), sentiu mesmo que estava a ser privilegiada, que as coisas não estavam a ser igualadas, ou seja, existe uma métrica na música, e ela ficou com as melhores partes da música, e eu fiquei simplesmente com aquelas partes em que não deu para mostrar muito da minha voz, e não me deixava fazer muita coisa. Praticamente a produção queria que eu saísse, por isso acabaram por escolher a música, mas foi complicado, sem dúvida.
Fiquei muito triste, como é óbvio, quando me disseram que não podia fazer nada daquilo que queria. Eu sou daquelas pessoas que gosta de alterar as coisas todas, ou seja, se eu tenho uma música, e é de uma determinada forma, eu gosto de fazê-la completamente ao contrário, da minha maneira e gosto muito que as pessoas que estão comigo, me acompanhem na minha criatividade, e no programa senti exatamente o contrário, que me estavam a quebrar essa criatividade, e isso fez com que eu ficasse um pouco desiludida com o formato do programa. Mas de resto fui lá e dei o meu melhor, apesar de não estar a cem por cento, porque antes disso tínhamos gravado a entrada nas Batalhas, no Fórum Montijo, e não dormi o necessário, ainda assim acho que correu bem.

R.R. O que é que achou do formato do programa em si? Era aquilo que estava à espera?
C.C
Nós nunca estamos à espera que as coisas sejam como pensamos neste meio.
Praticamente, temos "bué" pré-castings antes de entrar para a televisão, somos avaliados antes disso. Há uma forte probabilidade de entrares e uma forte probabilidade de não entrares, mesmo tendo ido ao programa, foram cento e vinte só passaram sessenta atuações e ainda assim, houve muitos deles (concorrentes) que não apareceram (na televisão), porque foram lá cantar e o "pessoal" (jurados) não virou (a cadeira) e ninguém soube que eles lá foram.
Aquilo é muito bom "para inglês ver", sinceramente...
Eu hei de voltar a fazer um programa assim, como é óbvio, porque isso dá-nos tipo, visibilidade e torna mais fácil a expansão do nosso trabalho, porque o "pessoal" (seguidores) vê o nosso Facebook, Twitter, tudo... E isso é bom para quem gosta de fazer progressão do seu trabalho, mas quem não tem trabalho ainda é mais complicado.

R.R. Muitos dos ex-concorrentes do The Voice, posteriormente à sua participação, continuam a manter contacto com os seus mentores, foi o seu caso? Mantém contacto com o Mickael Carreira a nível musical?
C.C
Não muito. Eu fui ver o concerto dele, agora (passado dia 24 de outubro), ao Meo Arena, consegui uns passes de backstagemas nem sequer falei com ele, cheguei lá atrasada [risos] como tal, nem consegui manter contacto com ele. Mas tenho saudades, porque o Mickael acima de tudo é humano e ele compreende-me... Eu falava muito com ele, nós tivemos dois meses depois das provas cegas até às batalhas, e nós tínhamos contacto três vezes por semana com os mentores, ou seja, era muito contacto a nível pessoal, isto é, falava muito com ele e era bom... Mas depois disso nunca mais mantive contacto.Mantive contacto foi com a Laura Figueiredo, a "Repórter V", e de resto, mais ninguém.

R.R. Na sua opinião, em que é que a sua participação no The Voice mudou o seu percurso na música?
C.C.
Como já disse, estudava na ESPAM, no Alentejo. Depois de ter ido ao The Voice, candidatei-me à EPI - Escola Profissional de Imagem, nos Cais do Sodré, e acabei por entrar no curso de produção musical, ou seja, fazer aquilo que gosto de fazer. A minha mãe acabou por me ceder a vontade, acabei por anular matricula (na ESPAM), e vir para aqui estudar, o que deixou a minha mãe muito desiludida, deixou-a triste, mas acabei por vir para cá e estou muito feliz porque me vai dar um percurso académico diferente, é que nós lá no Alentejo não temos qualquer tipo de possibilidade de trabalhar a nível musical, e aqui tenho muitas possibilidades, já tenho uma "data" de músicas feitas, porque estudo na EPI, nós temos estúdios, computadores para produzir, temos tudo, praticamente... E isso é uma mais valia.
Eu depois de ter saído do programa, consegui vingar no mundo da música, estou a produzir as minha coisas sozinha, não preciso de ninguém por trás para me ajudar, apenas necessito do "pessoal" que é meu amigo para me ajudar a produzir as coisas que eu quero e para me ouvirem e dizerem se gostam ou não para eu lançar.

R.R. Continua a trabalhar nesse meio, para concretizar os seus sonhos. Quais são os seus planos para o futuro?
C.C
. Ai! Não tenho planos para o futuro, sinceramente.
Eu, simplesmente, gosto de cantar, gosto de tocar, se as pessoas gostarem de me ouvir é bom. Os meus planos para o futuro, são ser mais e melhor, ou seja, produzir muito mais, escrever muito mais, cantar muito mais, ser feliz acima de tudo, porque eu não tenho qualquer tipo de base, ainda garantido, de que vou conseguir vingar no mundo da música, pode haver qualquer coisa que possa mudar, mas Deus queira que não mude muita coisa.

R.R. Qual a sua maior ambição na música?
C.C.
Foi como disse, ser mais, melhor, e por fim criar aquilo que gosto de criar e fazer as pessoas felizes.

Análise Crítica "The Passenger" - MichelAngelo Antonioni

"É um filme desiludido sobre aquilo que é o jornalismo" - Luís Osório
The Passenger ou Profissão: Repórter, é um filme italiano, espanhol e francês de 1975. É um filme da autoria de Michelangelo Antonioni (cineasta italiano), protagonizado por Jack Nicholson e Maria Schneider.
Este filme conta a história de um jornalista (David Locke), que durante a época colonial fez uma viagem por África, para reportar os conflitos que se passavam naquela região. No hotel onde fica alojado, conhece um homem bastante parecido com ele (Roberston), que morre subitamente de ataque cardíaco. David, aproveita-se do sucedido, uma vez que está bastante descontente com a vida que leva, troca de identidade com o homem que tinha morrido, esperando levar uma vida mais interessante e que lhe desse mais regalias, mas cedo se apercebe que o individuo com quem tinha trocado de identidade era um traficante de armas, e que a tranquilidade que procurava, não era ali que ia encontrar. David Locke, ao fazer a troca de identidade com Roberston, mostra-nos que quer fugir de si próprio, mas o seu "Eu", num parecer jornalístico, não pode ser separado da sua profissão de repórter. A esposa de Locke, Rachel, também jornalista, depois de ser informada da suposta morte do marido, começa a ver todas as entrevistas que ele tinha feito em África, juntamente com o produtor e amigo de ambos, para tentar perceber o que tinha acontecido e o que tinha levado à morte de Locke. A maneira como o faz, demonstra estar a refazer aquelas imagens nas quais o marido não aparece, como se ele lá estivesse. No entanto David Locke, retrata nessas filmagens, a relação que tinha com África, a nível jornalístico.
Neste filme, podemos ver que David Locke, não está satisfeito com a profissão de repórter que desempenha, como tal quer refugiar-se numa outra identidade, fugindo de si próprio, não pensando nas consequências disso, nem no fim que isso pode ter, o que nos leva a querer que o jornalismo não é devidamente reconhecido.
A atitude tomada por Locke é algo que acontece também na vida real. O facto de sermos jornalistas e exercermos a profissão, mesmo com o total cumprimento do código ético e deontológico, jamais nos conseguiremos separar de nós próprios, do nosso verdadeiro "Eu". Isto acontece tanto com o jornalismo, como com qualquer outra profissão. Não nos adianta de nada tentar fazer essa separação, isso não será possível
Em suma, devemos ser nós próprios, enfrentando as adversidades da vida e da vida profissional sem usarmos a identidade de ninguém. Sermos nós próprios. 
Para além da esposa (Rachel Locke), com o desenrolar da história aparece uma personagem cujo o nome nunca foi mencionado, que é entendida com o "anjo" de Locke. É a mulher que está constantemente ao lado dele, em viagens, em conflitos, etc. Esta personagem é vista como alguém que, durante toda a história, faz o protagonista refugiar-se para se separar de si próprio.
A profissão de jornalista é tida como algo que trouxe a este homem, alguns dissabores ao longo da vida. O protagonista não consegue separar as coisas e não entende que o facto de ser David Locke, um ser por inteiro, não tem que deixar de ser jornalista.
Este filme apesar de ter sido realizado em 1975 continua a ser um filme ainda atual, isto é, é considerado um filme intemporal porque, hoje em dia o mundo, mas neste caso em particular, o mundo jornalístico é cada vez mais mediático e por isso, mais rápido. No entanto, estes fatores podem tornar tudo muito menos exato. Todas estas caraterísticas que se verificam na atualidade, são também percetíveis no filme de Michelangelo Antonioni

"Make America Great Again" - Donald J. Trump

Quem é Donald John Trump?

Donald J. Trump nasceu a 14 de julho de 1946, em Nova Iorque. Estudou nas melhores universidades dos Estados Unidos. Em 1971 o pai, Fred Trump, entregou-lhe o controlo dos negócios da família, que inicialmente se chamavam Elizabeth Trump & Son, e Trump renomeou-os para The Trump Organization. É empresário, foi apresentador de um reallity show - The Apprendice da sua autoria e entre 1996 e 2015 e foi o diretor do programa Miss USA. Atualmente está casado com Melania Trump e é pai de cinco filhos. O agora presidente dos Estados Unidos da América, foi retratado pelo media como um homem divertido e simpático.
É o 45º Presidente dos Estados Unidos da América, representante do Partido Republicano e derrotou a candidata democrata Hillary Clinton. Tomou posse do cargo a 20 de janeiro do presente ano.
Em 2016, a revista Forbes incluiu o actual presidente norte-americano na lista dos 324 homens mais ricos do mundo, cujo património ronda os 4,5 biliões de dólares.

Como tudo começou? - Contextualização

Em 2015 Donald Trump conseguiu o apoio e estrutura para a candidatura à presidência dos Estados Unidos da América, por parte do Partido Republicano e durante todo o processo o mais recente presidente dos EUA conseguiu sempre uma posção de destaque embora muito competitiva com a candidata democrata Hillary Clinton. Deu-se então, uma disputa pelo "passaporte" para a Casa Branca.
Antevia-se mais uma campanha que fazia com que a população daquele país tivesse uma sensação de déjà-vu, as mesmas caras, os mesmos discursos e os mesmo assuntos em discussão. As ideologias de todos os candidatos eram as mesmas, era dificil fazer qualquer distinção.
No entanto, Trump, candidato Republicano, revelou muitas vezes a sua intransigência em assuntos relacionados com os Direitos Humanos, e dessa forma diminuiu sua popularidade, principalmente entre as mulheres.
Até ao "dia D", dia em que se saberia quem iria ser o novo presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump foi alvo de muitas criticas, por parte de cidadãos americanos, comunicação social, etc. Contudo isso não o derrubou, antes pelo contrário. A maioria da população considerava as entrevistas e discursos do magnata, uma estratégia para autopromoção. Afinal, porque haveria um homem tão bem sucedido a nível pessoal e profissional, colocar-se numa situação destas, de desgaste derivado de exposição mediática e da prática política moderna.
No final da década de 80, quando Trump foi assunto pela comunicação social pela primeira vez, como possivel candidato à presidência e diz inclusivamente: "Não me vejo a concorrer à presidência. Não sinto que tenha perfil. (...) Algo de francamente mau irá suceder a este país se continuarmos a acumular défices de 200 mil milhões dólares (...)". - Donald J. Trump.
Futuramente, não foi o que aconteceu. Candidatou-se e ganhou. No dia 16 de junho de 2015, quando vem discursar, na Trump Tower, perante milhares de cidadãos americanos, o magnata afirma que os EUA são derrotados em todas as frentes por países como a China, Japão e México e que a América não voltaria mais a ser a mesma. "O terrorismo islâmico está a absorver enormes porções de território no Médio-Oriente (...)" - Donald J. Trump
Depois de um discurso onde enumerou todos os problemas que se faziam sentir nos Estados Unidos, Donald Trump diz: "Portanto, senhoras e senhores... Anuncio que estou aficialmente a concorrer... à presidência dos EUA e vou fazer o nosso páis grande de novo." Dá-se então oficialmente a canditura de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos da América. No dia 8 de novembro de 2016, foi eleito Presidente dos Estados Unidos da América, o 45o da democracia norte- americana. A campanha de Hillary Clinton, candidata Democrata, foi muitas vezes focada no ataque a Trump. Depois de ter ganho as eleições primárias contra os seus adeversários políticos, a sua campanha focou-se em apontar defeitos ao seus oponente, Donald J.Trump, assim como decobrir todo um "passado misterioso" que o atual presidente dos EUA podesse ter, ao invés de se focar nos asuntos que eram úteis aos eleitores.

Media - Cobertura medática do assunto.

Foi criado um forte mediatismo à volta do candidato Republicano desde o ínicio da candidatura até aos dias de hoje. Os media não se demonstraram muito imparciais perante o assunto da candidatura de Trump aos EUA. Mas tal como os jornalistas na América, também em outras partes do Mundo revelaram este estigma de imparcialidade (Ex.: The Guardian, BBC). Uns gostavam muito, outros nem por isso. E não é suposto que assim seja, o jornalismo exige o cumprimento das regras éticas e deontológicas, nomeadamente a impacialidade e isenção em relação a qualquer assunto de interesse público. O jornalista tem que saber dar a notícia da melhor forma possivel, informando quem o está a ver sempre de maneira impacial e isenta. Donald Trump, sempre esteve de alguma forma ligado aos Orgãos de Comunicação Social, ainda que fosse devido aos negócios de familia que tem. Em 2015 quando o candidato não trouxe todos os números ao debate político, os próprios media trataram de questionar se Trump teria algum preconceito contra os hispânicos, ao qual ele responde: "Não temos um país sem fronteiras. Não temos um país se não recuperarmos o controlo das nossas fronteiras." A regra do jornalismo, como a impacialidade e isenção são bastante importantes e poderão ter-se perdido num mundo de cobertura jornalistica americana, perante este assunto.
Após Donald Trump assumir a candidatura à presidência e até mesmo atualmente, estes foram alguns dos títulos
The Washngton Post: "O lançamento da campanha exuberante, interminável, chocante e falaciosa de Donald Trump"
The Guardian: "A proibição vergonhosa de Donald Trump a muçulmanos e refugiados" (29 janeiro 2017)
The Huffington Post: "O Donald Trump vai mesmo concorrer a Presidente! Deus nos acuda a todos"
National Review: "Um macaco idiota desce as escadas-rolantes: Donald Trump entra na corrida"
Vox: "A candidatura de Donald Trump vai mesmo acontecer..."
Daily News: "Um palhaço concorre a presidente"

Não podem existir títulos como estes, sobre Donald Trump, ou seja quem for. Jornalismo também é opinião, quando essa está bem explícita no espaço de opinião.
O público quando consulta notícias sobre um determinado assunto deseja, certamente que os orgãos de comunicação social que consultam, sejam a sua fonte de informação principal, como tal haverá esperança de um tipo de informação esclarecedora e impacial. Não é suposto que haja uma distorção da realidade nem um abuso de poder.
No caso da distorção da realidade, quando Trump fala da imigração ilegal "(...) Quando o México envia as suas pessoas, não está a enviar os seus melhores cidadãos. Estão a enviar pessoas com vários problemas e essas pessoas trazem esses problemas com elas. Trazem drogas, trazem crime, incluindo violadores. Alguns eu assumo, são boas pessoas. (...) Apenas é necessário bom senso, eles não nos enviam os seus melhores".
Existem casos em que os títulos das capas de jornais, depoimentos em canais de televisão e artigos em sites na internet, distorçem um pouco a realidade, isto porque Donald Trump não diz (diretamente) que todos os cidadãos mexicanos sejam violadores, e é perante o discurso dele que os orgãos de comunicação social têm de se basear.

Vejamos:
Time Magazine: "Trump comenta que os imigrantes mexicanos são violadores"
The New York Times: "Trump afirma que os imigrantes ilegais mexicanos são violadores"
A opinião que cada um tenha sobre o protagonista da história não pode influenciar o que é publicado.
Contudo, o magnata também não facilita esta tarefa:

"Se as pessoas que tido, pelo menos, alguma hipótese de se defenderem. Não é interessante que a tragédia que ocorreu em Paris tenha acontecido num dos países com um controlo de armas mais apertado do mundo?", disse a propósito do massacre ao jornal satírico Charlie Hebdo a 7 de janeiro de 2015.
"Eu não tenho muito respeito por Megyn Kelly, ela é um peso leve. Sabe, via-se o sangue a sair-lhe dos olhos, o sangue a sair-lhe de... qualquer parte. Na minha opinião, ela estava descontrolada." Esta declaração foi feita tendo em conta as questões colocadas pela jornalista Megyn Kelly, durante um debate em direto, a propósito dos comentários de Trump . Também nas redes sociais o atual presidente americano não passou despercebido. Donald Trump, faz um uso frequente das redes sociais, ao contrário de Barack Obama, pelo menos antes de ser eleito em 2009. Antes, durante e após a sua eleição, Donald Trump causou algum impacto nas suas contas oficiais em redes sociais, nomeadamente o Twitter.
"Sorry losers and haters, but my I.Q. is one of the highest -and you all know it! Please don't feel so stupid or insecure,it's not your fault"(Donald Trump na sua página oficial de Twitter)
"É só conversa, conversa, conversa - nenhuma ação ou resultados. Triste!" (A 14 de janeiro 2017, em resposta a John Lewis, um ícone do movimento pelos direitos civis dos EUA. Lewis declarou à NBC que não iria à tomada de posse de Trump por considerá-lo ilegítimo)
"Ter um bom relacionamento com a Rússia é uma coisa boa, não é má. Só pessoas estúpidas ou tolas é que acham mau" (A 7 de janeiro, sobre o relacionamento com Vladimir Putin, o que originou diversas reacções da comunicação social)
Estes e outros posts, na página oficial do atual presidente americano, assim como as medidas que vai implementar, causaram fortes polémicas à volta da sua candidatura e eleição.
Os padrões de jornalismo clássico não são transportados para os media atuais. Aqui nascem novos elementos.
Na televisão, por exemplo, os padrões jornalísticos são mais propícios a misturarem-se, desde o jornalismo mais sério ao mais banal. Por isso, é que existem os chamados "espaços de opinião". Somos capazes de ver a comédia ligada ao jornalismo, isto é, a opinião associada a "assuntos sérios" do mundo e estes podem ser vinculados através da comédia.
O jornalismo não é, nem nunca será uma visão neutra do que quer que seja.


Em entrevista - Mónica Vilarinho 


Os 180 graus de uma política descredibilizada

Mónica Vilarinho tem 34 anos e é Vereadora das Actividades Económicas da Câmara Municipal de Odivelas e desempenha também funções nas áreas do turismo, da juventude e projetos comparticipados. Apaixonada por política desde que se lembra, faz parte do Partido Socialista.
A sua maior ambição é cumprir todos os objetivos lançados durante o mandato em que foi eleita e se possível ir mais além, quer com base no programa político quer nos orçamentos das áreas que gere.
Dá a cara pela Rádio Cruzeiro, uma Associação sem fins lucrativos, em Odivelas, apoiando todos os eventos, projetos e os profissionais que lá trabalham de forma voluntária.
Para a Mónica, o mais importante de tudo é a vontade de melhorar o País.
Apoiante dos direitos civis e ações sociais, empoderamento económico, direitos humanos e política, considera que a taxa de abstenção é um tema interessante e importante de abordar - importa, por isso, avaliar causas, consequências e possíveis soluções para a resolução do problema.

Raquel Ribeiro - A taxa de abstenção nas eleições legislativas em Portugal no ano de 2015 registou um aumento total de 44,1%, sendo que 43% eram residentes em Portugal. Na sua perspetiva, qual é a principal razão para que se registem valores destes?
Mónica Vilarinho - Nós insistimos na questão das abstenções. Aliás creio que a mais baixa taxa de abstenção foi nas primeiras eleições no pós 25 de abril e é uma pena que não se tenha mantido esse espírito a nível democrático. O português dizer que não quer votar, porque não concorda em absoluto com o que é dito e feito, ou simplesmente porque não quer, porque não concorda com o que quer que seja e não se identifica, é uma pena e chega a ser muito triste mesmo. Sou inteiramente a favor do voto, ir às urnas votar... É o mais sagrado que nós temos da nossa livre democracia.

RR - Para além de tudo, há a possibilidade de se votar em branco. não é necessário existir uma abstenção. O voto é um dever cívico.
MV - Claramente. Eu acho as formas mais agressivas que podem existir de protesto, são o voto em branco e o voto nulo. São determinantes. É uma das melhores formas que o eleitor tem de mostrar a sua indignação, de não ter qualquer tipo de relacionamento, ou identificação com os candidatos e de simplesmente demonstrar que enquanto eleitor, retirou do seu tempo para ir ao local. O eleitor assim poderá demonstrar a sua determinação e exigência. Por outro lado, há um descredito absoluto com a política, que é uma grande pena.

RR - Esse descredito poderá ser resultado de uma falta de conhecimento por parte do eleitor?
MV - Sim claro. Não só a falta de conhecimento, mas também todos os casos carismáticos que têm vindo ao de cima, não são fáceis de encarar por parte de quem vota. Criam-se logo ali barreiras, difíceis de ultrapassar.

RR - A linguagem política é algo importante no cargo em questão. Poderá ser a imagem que os políticos passam para fora, que causam este tipo de problemas?
MV - Nós costumamos dizer que, basta uma má imagem para transformar toda uma profissão, toda uma população. No caso da função pública, por exemplo, basta haver um caso de mau atendimento para desvalorizar todos os outros profissionais.
Na política é bem mais evidente, porque basta haver um ou dois exemplos de políticos com menos sucesso, ou envolvidos em alguma situação menos favorável, que deixa sempre no ar se efetivamente, foram tidos em conta os interesses da população, bem como do erário público, que é uma exigência fulcral. Basta haver um ou dois casos, alguns significativos de vários milhões, como é o exemplo da "Operação Marquês", que retira logo todo o crédito a qualquer politico. Mas também temos que pensar que também é possível trabalhar para o bem da população, porque é isso que nos é exigido, enquanto políticos, quando somos eleitos.

RR - De que maneira é que estes valores (taxa de abstenção) podem influenciar o país?
MV - Tendencialmente e não tendo feito uma pesquisa aprofundada sobre o assunto, os jovens são os que menos votam. Isso é péssimo, eles são o futuro do País.Os jovens, e falo deles porque para além de serem o futuro, é com eles que mais lido, a juventude está completamente afastada da realidade política. Mas também há outras pessoas que acabam por influenciar muito, nomeadamente os media.
A comunicação social, tem um grande papel que devia ser mais pedagógico, em termos da acertivdade na notícia. Mesmo que coloquem a dúvida no ar, sem dar certezas, fica sempre a má imagem aos olhos de quem vê aquela pessoa.
Por exemplo, alguém que seja julgado por alguma coisa, mesmo que seja ilibado, vai sempre ter a má fama. Fica sempre um descrédito completo da classe política, do profissional que deverá defender os interesses de erário público e isto torna-se uma "bola de neve".
Existe outro fator importante, a informação. Lá fora (estrangeiro), o não voto tem de ser justificado e aqui, ninguém é obrigado a votar num partido ou numa pessoa, podemos simplesmente exercer voto em branco ou inclusive, torná-lo nulo como forma de protesto, como já referi.

Também há quem defenda que devíamos atualizar o sistema antigo, a mera cruz no papel e colocar na urna. Nos Estado Unidos já existe o sistema eletrónico e já há quem diga que pode ser manipulado (no caso da eleição de Donald Trump essa credibilidade de voto foi bastante questionada), e isso também me preocupa muito. É importante que as eleições sejam o menos manipuladas possível, que haja o mínimo de corrupção e que sejam credíveis. Se tornarmos o nosso sistema eleitoral num sistema pouco credível, deixamos de ter a nossa força democrática, que é o mais importante que temos.

"A juventude está completamente afastada da realidade política."

RR - Estará a população a prejudicar-se a si própria, ao abster-se desta forma?
MV - No meu entender, quem não vota não pode protestar. Eu aí, sou muito critica. Detesto os tradicionais "comentadores de bancada", ou os "críticos de autocarro" que muitas vezes nem sequer pensam em querer saber o tempo que um político, ou alguém que dependa de um cargo que seja conseguido via eleições, perde para exercer esse cargo. Mais do que protestar ou falar para o ar, pôr por escrito é muito importante e no caso das eleições, pôr por escrito, é votar. Se queremos estar um passo mais à frente, temos que participar ativamente. A participação ativa no associativismo político está muito descredibilizada. É muito triste, mas a verdade é que há muita gente que tem vergonha de dizer que exerce cargos políticos, há pessoas que o fazem com muita integridade e muita força, independentemente das forças ou entidades políticas que representam, mas há outras, sobretudo em cidades do interior que sentem algum medo em participar ativamente num partido ou se o fazem é porque têm algum interesse particular ou pessoal.
Seria importante manter a vontade de melhorar o País. Até mesmo as camadas mais jovens, com as associações de estudantes, são um ótimo exemplo disto.
É fundamental existir intervenção, colaboração, ter voz ativa, delinear planos estratégicos. Se o eleitor, o ativo mais importante, não vai votar, só demonstra que nem sequer se preocupada com as decisões que eu tomo e irei tomar enquanto eleita, por isso, eu como eleita e uma vez que a pessoa não votou eu nem sequer tenho obrigação de lhe "prestar contas" relativamente à minha atividade política e às minhas decisões.
Tudo isto para dizer que estamos perante uma situação grave, no que diz respeito aos sistemas puros da democracia e isso descredibiliza toda a luta ativa e política, para conseguir a liberdade das mulheres para terem voz ativa, da população em geral (por exemplo). E tenho a certeza que no dia em que deixássemos de ter eleições livres, essas pessoas que não votaram até ao dia, iriam estar na linha da frente.

"(...) quem não vota não pode protestar."

RR - No discurso politico, uma das "armas" mais importantes é o poder da palavra. Saber o que dizer e quando dizer. De uma maneira geral acha que os políticos lidam com essa "ferramenta" da melhor maneira?
MV -
Saber o que dizer e quando dizer é muito importante, mais importante é não profissionalizar muito o discurso. Há imensos casos mediáticos em que se dizem coisas e pouco tempo depois contraria-se aquilo que se disse. Temos que ser genuínos.
É muito importante haver um discurso direcionado para quem nos ouve. Não é por se utilizarem duas ou três "palavras caras" que alguém vai perceber.
O que me interessa a mim enquanto candidata é ter a confiança da pessoa que vai votar e sobretudo que entendam aquilo que digo.
A informação também é muito importante. Falando do caso concreto de Odivelas, muitas vezes as pessoas nem sabem se é um Concelho ou uma Freguesia (curiosamente é os dois), de maneira que tem de haver uma explicação, breve e fácil de entender do que é um sistema político.
Regressamos à questão de quem não vota é o primeiro a criticar. A população tem muito esse estigma de só se preocupar quando, por exemplo, vê os contentores do lixo à porta de casa, por despejar, ai estão na linha da frente para protestar. No entanto acho bem que o façam, no sítio certo, com a informação certa. Se assim for, rapidamente obtêm uma resposta. Agora, se forem para o facebook, criar movimentos e protestos e tudo mais (...) esse não é local certo, isso não é uma atitude cívica.
O conhecimento da população sobre poderes municipais, locais e de administração central e saber o que cada um dos poderes altera, são questões essenciais que a população deve adquirir.
Enquanto figura política, quero ser vista de igual forma a toda a população, independentemente da cor, da raça, da religião, do sexo. Por isso há que potenciar a população, alertá-la para aquilo que são os reais problemas. Há que controlar a tentativa de tornar os discursos muito exagerados. É fundamental passar a mensagem de que a votação é importante e trará retorno.

RR - Na Assembleia da República, os políticos de agora, têm um bom discurso?
MV -
Boa pergunta. [risos] No fundo a Assembleia da República, é uma assembleia de deputados, que pretende defender o interesse nacional. Cada um com as suas vertentes, sejam elas mais de esquerda ou de direita, mas depois nas situações mais caricatas, como as dos últimos dias, discutem-se "tricas e sms's", coisas que ninguém quer ouvir.
Tudo bem, há coisas que têm de ser realmente verificadas, porque se houve algum ato menos lícito, deve ser averiguado e devem ser apuradas responsabilidades.
Interessante é também saber que alguns deputados continuam a exercer cargos políticos e cargos profissionais paralelos, que muitas vezes segundo códigos deontológicos, não deveriam ser equacionados um e outro. Acaba por haver uma forte potenciação de interesses e o caso das offshores é exemplo disso.
Esta questão é muito perigosa. Tornar aquele órgão que é o mais importante, numa "palhaçada" é terrível. Perde-se um bocadinho o foco em defender os verdadeiros interesses da população e as pessoas não ligam, não discutem. E depois claro, também há a importância dos media, também têm este papel. Isto porque, até podemos ter em plenário, um debate interessantíssimo que haja uma discussão sobre coisas importantes, para os media isso não é interessante. Aí, o foco está nos cinco minutos em que o Primeiro-Ministro ofende o ex Primeiro-Ministro e população vê isso, não lhes interessa o que foi discutido nas quatro horas anteriores, que foi a apresentação de um projeto de lei, seja o que for.

RR - De que forma podem os políticos "valorizar" a sua imagem aos olhos da sociedade para que os portugueses os vejam de outra maneira?
MV - A valorização de um político é muito difícil. Não se consegue "agradar a gregos e a troianos". Há quem vote só na cor política, há quem vote na pessoa, mas depois também há aqueles que não têm qualquer interesse, nem em como funciona o País, nem o que é ou não aprovado, um completo descredito do político, e há os que percebem alguma coisa, têm a sua vertente política e há aqueles que são mais exigentes e procuram realmente "tirar o sumo" daquilo que são as verdadeiras propostas.
Um político, para ser mais atrativo, embora seja uma tarefa muito difícil, tem de ir para a rua, falar com as pessoas, tem que explicar o que é que faz.
E desviando um bocadinho as atenções, acho que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa é um bom exemplo de alguém que sabe chegar às pessoas.
Normalmente o politico dirige-se às pessoas que o querem ouvir e nem toda a gente quer ouvir. Por tudo isto, temos que saber tornar o discurso fluente e interessante, captar a atenção das pessoas e tentar de algum modo tentar corresponder às expectativas impostas pela população. As pessoas só exigem, quando vêm que algo não está de acordo com aquilo que querem e não no momento que deveriam exigir, ou seja, quando estamos a trabalhar para os próximos anos, é muito complicado.
Os bancários, são um bom exemplo. Agora com todas as situações que andam a ser discutidas, a imagem deles ficou completamente descredibilizada. É muito complicado centrar a atenção da população em certas matérias.
Aprendi sempre que nem tudo o que me colocam à frente é verdade e existem várias versões da mesma história.

RR - Falou do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, acha que ele gere bem a imagem que transparece aos olhos dos outros?
MV -
Eu costumava dizer, antes da sua eleição, que ele era um péssimo político, já tinha estado no PSD e não tinha conseguido qualquer cargo, mas é um excepcional professor. É um excelente comentador e o facto de ter sido comentador na TVI durante tantos anos, foi sem dúvida, uma estratégia muito bem concedida. Há aqui uma adaptação clara e bem feita do discurso à população, bem como aos efeitos automáticos que aquele discurso tem nas pessoas. O Presidente Marcelo sabia muito bem o que estava a fazer. Para já, teve um desafio fantástico, o de comentador, e conseguiu com isso, ver como conseguia capitalizar o seu conhecimento teórico (que é enorme), e é uma pessoa genuína, mas não é parvo, não vamos confundir as coisas. É estratega, soube que a partir do momento em que poderia não ter o apoio do partido teria de avançar e fê-lo de forma muita convicta e muito bem. Sabe o que fazer na hora certa e no momento certo. É alguém que nunca teve ligação a partidos de esquerda mas que hoje em dia, até esses partidos, inclusive do PS lhe vêem muito mérito. Há uma verdadeira articulação e um trabalho de permitir que se governe o Pais, mas atenção que, mais uma vez, o Senhor Presidente da República, não é parvo e não fazem dele o que querem e isso é certo, ao contrário do ex-Presidente, ele não é um pião nas mãos do Partido Político dele. É um dos maiores críticos, face ao partido dele, o Presidente da República não representa partidos, embora tenha relações partidárias.
Este Presidente é acarinhado, amado, como se fosse o Papa Francisco, que também é muito acarinhado. Isto segue muito a linha do Obama, de um Papa cada vez mais próximos das populações e vai na linha do próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que é único, carismático. Não devemos esquecer que ele foi eleito à primeira volta, não era expectável, mas também houve muito trabalho por trás. Tem feito um trabalho fantástico e arrisco-me a dizer que deve ser, a nível de segurança, o pior político que alguma vez houve, porque é um senhor que de repente se lembra e vai dar um mergulho para a praia no primeiro dia do ano, e o segurança vai atrás dele [risos] e depois de repente, tira uma fotografia com três ou quatro pessoas que podem simplesmente ter uma arma na sua posse, mas ele não exige segurança nenhuma. Ele dá-se às pessoas, isso é ser político. É ser genuíno, mas não ser parvo. Entender tudo aquilo que lhe chega às mãos.
Contudo, (não comparando) reconheço um grande génio também, o atual Primeiro-Ministro, António Costa. Quando foi eleito, ou melhor, quando não foi eleito, soube colocar logo uma série de mecanismos a funcionar, quando o suposto eleito esteve à espera que lhe fossem bater à porta e foi isso, a meu entender, que ditou a não governabilidade do País. Foi capaz e juntou tudo muito bem.

"Ele dá-se às pessoas, isso é ser político. É ser genuíno, mas não ser parvo."

RR - O que é que pode ser feito para melhorar estes valores, no que diz respeito à taxa de abstenção?
MV - A informação é muito importante, um Presidente Marcelo é também muito importante. Governar, credibilizar e mostrar vontade à população.
Os índices de auto-estima, aumentaram drasticamente e mesmo que a oposição diga que não tem nada ver, isso não é verdade. A auto-estima da população é muito importante. Bons políticos, com muito carisma, muita informação tecnico-política, com a efetiva transformação daquilo que são ideais, em resultados. Nós só podemos exigir, se efectivamente formos um modelo.
Estarmos todos cientes de que queremos que o País seja bem governado, tenha bons resultados e que não seja só mais um micro país na União Europeia. Continuarmos a ser apelativos turisticamente, estrategas, continuarmos a apostar na indústria. Tentar fazer com que os nossos profissionais, voltem e apostem no nosso Pais. Tentar que haja a volta de 180º graus tão esperada para Portugal.
O nosso País é tão, mas tão valioso.
É caso para dizer: "Viva Portugal!".

Análise de uma notícia de Política Nacional em três diferentes meios de comunicação

Notícia: "Demissão Domingos Pereira" Jornal - Diário de Notícias

A notícia dada em formato de imprensa é quase sempre mais detalhada ao contrário de meios de comunicação como rádio e televisão, onde uma ideia tem que estar resumida numa frase.
Em formato de jornal, no Diário de Notícias, o assunto da demissão do deputado Domingos Pereira, foi tratado com algum detalhe, apesar de ter referências à SIC Notícias e à Agência Lusa, neste formato foi dada com mais promenor.
São mencionadas as consequências da demissão do deputado eleito pelo círculo de Braga, Domingos Pereira: "Com esta mudança, as contas da "geringonça" podem ficar mais complicadas e a maioria de esquerda ficar comprometida quando o PCP se abstiver", assim como as motivações que o levaram a tomar esta decisão "nos próximos dias, irá ter uma conversa com o presidente do Grupo Parlamentar do PS, Carlos César, porque admite avançar com uma candidatura "independente", concorrente da oficial do seu partido em Barcelos", sendo que estes factores são pontos comuns nas três análises.
De um modo geral, este foi o meio de comunição que deu a notícia mais aprofundadamente. 


Rádio - Rádio Renascença 

Em rádio, o tempo é menor e a informação tem que estar resumida mas completa. Uma frase, uma ideia. Contudo, não deixa de estar lá toda a informação necessária, inclusivamente na versão escrita que está online.
Neste caso, o assunto foi tratado de forma mais resumida, mas ainda assim começou de forma impactante, tendo a versão escrita que está no site da Rádio Renascença o seguinte lead "Deputado queria ser candidato à Câmara de Barcelos, mas a direcção do PS decidiu apoiar o actual autarca, Costa Gomes. Por esse motivo, Domingos Pereira bateu com a porta."
Existem declarações exlusivas do deputado Domingos Pereira à Rádio em questão, "Em declarações à Renascença, mostra-se "inteiramente disponível para continuar no grupo parlamentar"."
Explica também, como em todos os outros formatos, as causas e consequências desta demissão. 


 Televisão - SIC Notícias

Tal como em rádio o tempo em televisão não é muito, a informação tem que ser clara e sucinta. Uma frase, uma ideia. Noticiando sempre os promenores relevantes para o assunto. A peça que está no site da SIC Notícias tem 2:29 minutos e menciona as causas e consequências da demissão do deputado Domingos Pereira, assim como os restantes meios de comunicação. Identifica as dificuldades que esta decisão irá causar no Parlamento, mencionando que a possibilidade do PS formar maiorias parlamentares fica em causa.O jornalista que faz a voz-off da peça faz uma identificação do protagonista e dos seus projetos futuros, como por exemplo a candidatura como independente à Câmara de Barcelos. No final é mencionado que na notícia foram tratados dados que a SIC apurou, indicando assim, que não utilizaram qualquer outra fonte de informação e que a SIC Notícias foi o meio que deu a notícia em primeira mão. No site da estação de televisão ao contrário do que acontece noutros, a informação está praticamente toda resumida na peça em formato video, tendo apenas um pequeno lead para ilucidar o telespectador do que está a ver - "Domingos Pereira foi eleito pelo círculo de Braga. Agora, vai demitir-se do Partido Socialista e entregar o cartão de militante. Contudo, mantém-se no Parlamento, passando assim a deputado independente na Assembleia da República. Pode estar em causa a maioria parlamentar quando o PCP se abstiver."


Em entrevista - Susana Amador

Susana Amador, nasceu a 25 de abril de 1967 e é natural de Portalegre. É licenciada em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, tem um Mestrado em Ciências do Direito e da Comunicação , Pós-Graduação em Assuntos Europeus e ainda uma especialização em Direito de asilo European Council on Refugees and Exilees em Oxford.
Começou por desempenhar funções como técnica principal do instituto da Segurança Social, passando pela Presidência da Assembleia e mais tarde da Câmara Municipal de Odivelas. Enquanto desempenhou funções como autarca, foi sempre tida como uma Presidente muito próxima da população.
Uma mulher ambiciosa, certa daquilo que quer e disposta a lutar sempre para ver os seus objetivos concretizados, sem medos do que possa vir a seguir.
Atualmente integra o painel de deputados do Partido Socialista (que celebrou o seu 44º aniversário no dia desta entrevista) e está presente nas reuniões plenárias na Assembleia da República.

Raquel Ribeiro - A Susana sempre foi uma autarca muito próxima da população. Quais foram as "armas" que utilizou para essa boa relação? Afinal de contas, os políticos nem sempre são bem vistos aos olhos da população.
Susana Amador - Sim, é verdade. Mas é preciso gostarmos muito daquilo que fazemos e do território onde vamos. No fundo, implementar-mos as políticas públicas que queremos que sejam competentes e como, obviamente o território tinha muito a ver comigo (uma vez que estava em Odivelas desde os 7 anos) foi uma tarefa fácil.
Conhecia o território, as pessoas, as dificuldades, as carências. Era Presidente da Assembleia Municipal (fui a primeira presidente de Assembleia em Odivelas) e depois, com todo o conhecimento que tinha do território e as suas necessidades, acabou por ser fácil, dentro da dificuldade que é, conhecer as assimetrias de um território como Odivelas, com tanta população (cerca de 150 mil habitantes). Mas implicou, antes de mais nada, um olhar estratégico para o território, ou seja, não fui para lá a pensar em eleições de 4 em 4 anos, a primeira coisa que fiz e que aconselho que todos os que quiserem este rumo façam, é uma agenda para aquele território, a 12 a 20 anos, olhar e pensar como é que eu queria que aquela zona fosse para os pais, para os meus filhos, sempre com uma visão própria de tudo aquilo. Portanto, essa estratégia de proximidade com a população é extremamente importante. Um bom político, seja deputado, autarca, ... tem que saber estar com as pessoas, ir ao terreno, no caso do poder local isso até é mais exequível e mais fácil de fazer do que em cargos deliberativos. É fundamental estar sempre em contacto com as pessoas, desenhar boas políticas públicas e estratégicas, sabendo ouvir.

RR - Não sente algum incómodo por ver um partido que é líder do Governo, renunciar a uma candidatura à Câmara do Porto, exatamente quando o candidato há 4 anos, continua Manuel Pizarro e é provavelmente, nº2 dessa lista?
SA - De todo, não sinto nenhum incómodo. Acima de tudo e tal como referi nas políticas autárquicas, é fundamental que alguém possa estar à frente de um projeto e se identifique com as pessoas, com o território e no fundo, que se identifique com o ideário programático.
Neste momento quem está à frente, tem cumprido esse ideário e que também é o do Partido Socialista, a favor de causas justas, da igualdade de oportunidades, com coesão social e que acima de tudo possa tornar o Porto num lugar melhor para viver, para crescer, para investir e a verdade é que Rui Moreira corresponde às expectativas do PS para a Câmara do Porto, assim como aos objetivos programáticos para a cidade do Porto, também as políticas sociais, habitacionais, que foram acompanhadas de perto por Manuel Pizarro, com um desenvolvimento acrescido.
O Porto hoje é um território mais igual, mas coeso, mais justo, não é só, um território mais visitado por turistas e por isso, em forte crescimento económico, mas ao mesmo tempo tem atenção aos mais vulneráveis. Causas educativas, sociais, culturais, são de facto grandes oportunidades que aquela terra tem para oferecer. O Porto deixou de ser um território assimétrico e inclusivo. O Rui Moreira corresponde a todas essas expectativas que temos naquela região, com boas práticas políticas e governativas. O PS não tem que ter nenhum problema, nem constrangimento ao apoiar alguém independente que cumpra os nossos ideais e um programa que acaba por tornar o Porto, numa cidade tranquila, segura, com uma visão estratégica e ambiciosa. Nessa perspectiva o Rui Moreira é um bom projecto, no fundo, é também o nosso ideário.

"O poder conquista-se, não vem com o cargo" - Susana Amador

RR - Rui Moreira é, portanto, é uma boa estratégia?
SA - Sim, politicamente uma boa estratégia. Nós, no PS temos vindo a reforçar a legislação com as candidaturas independentes, e fizemos isso há pouco tempo, e aos partidos devemos sempre somar vontades que façam uma boa democracia. Nesse sentido, Rui Moreira, corresponde de todo a uma democracia de qualidade e às nossas melhores expectativas e irá cumprir com uma boa equipa que tem.

RR - Em 2019 é ano de eleições, como é que antecipa as próximas eleições legislativas? O PSD deve ir sozinho?
António Costa mesmo que tenha a maioria absoluta quer manter pactos à esquerda. Considera este um modelo desejável?
SA - Ainda é prematuro falarmos. Mas o nosso objetivo é fazermos a legislatura e provar que é possível governar à esquerda, é possível termos uma aliança como esta, que deixa os portugueses melhores, o país melhor. Acho que conseguimos cumprir políticas que implicavam as pessoas no seu centro, com as declarações de rendimentos, o aumento do abono de família para crianças até 3 anos, e ao mesmo tempo cumprindo as metas para o défice. Acho que é um projeto e foi de facto uma opção com o grupo parlamentar, que está a fazer o seu caminho, onde na sua pluralidade, todas as forças políticas que se apoiam não deixam de estar juntas, porque são as políticas que fizemos de reversão.
Temos vindo a reforçar o estado social. Acho que um político tem que cumprir aquilo que prometeu e isso remete-nos novamente para a questão de proximidade.
António Costa disse e muito bem "palavra dada é palavra honrada" e o poder conquista-se, não vem com o cargo. Aos estabelecemos esta relação de proximidade com os eleitores só estamos a favorecer o nosso governo, a nossa política. As pessoas só confiam nos políticos quando vêem que as promessas são cumpridas [...] Credibilidade e consistência trazem confiança.
Esta opção governamental e este apoio parlamentar estão a dar confiança às pessoas, mesmo segundo estudos do EUROSTAT.
Eu em Odivelas tive maioria absoluta, não precisava de outro partido político e sempre tentei ter outro partido que pudesse apoiar, e conseguimos isso em áreas educativas e sociais, António Costa também fez isso na Câmara de Lisboa, e agora entende que, mesmo que tenhamos um bom resultado eleitoral, precisamos sempre de todos e a verdade é que aprovar uma proposta de lei pela maioria de uma partido ou por maioria alargada é completamente diferente em termos de sustentação desse lei. Portanto, quando mais abrangente for o leque de apoio de uma medida, mais sólida ela se torna.
Ainda é prematuro estar a fazer uma sondagem mais aprofundada. Por agora em certos estudo estamos num bom caminho, mas pode mudar a qualquer momento.

RR - PS nas mãos de António Costa está com a condução certa?
SA - Sim, sem duvida! [risos] É o homem certo no lugar certo. É um político muito hábil, inteligente, bem preparado. Nós já sabíamos, António Costa já foi tudo na vida política: foi excelente Ministro, Autarca, e o facto de ter sido autarca da maior Câmara do País, deu-lhe uma visão mais sensível para um conjunto de questões, para as abordagens das mesmas e replicou, ao mesmo tempo, o orçamento participativo nacional, que tem três milhões de euros e mais de mil propostas.
Isto só revela que por trás deste Primeiro Ministro, ainda está todo um espírito de autarca e de alguém que percebeu que com a proximidade ganhará a confiança e só ganhará com isso.
Hoje seguramente o grau de confiança de António Costa, ainda é maior do que aquele que tinha quando concorreu nas últimas legislativas.

RR- Quais são as questões que o PS ainda não pôs em debate e que a Susana acha que deveria colocar?
SA - Penso que todas as questões sociais que estão em cima da mesa foram colocadas. As que estão no programa do Governo e no programa Nacional de Reformas, são a nossa prioridade e todas estão em cima da mesa. Na área da igualdade, por exemplo, já estão medidas a ser executadas e isso é muito importante. Agora é o tempo do Parlamento, no entanto há um conjunto de temas que continuam a ser importantes e interessantes, que foram abordados na comissão nacional, pela Juventude Socialista e por outras personalidades do PS. A questão da Eutanásia, é uma questão a trabalhar. Fazer a discussão pública que está a ser feita. [...]
Para além disso, a própria questão da prostituição que não está no programa do Governo, assim como a legalização das drogas leves, que demonstram que o PS não se "esquiva" a nenhuma discussão por mais complexa que ela possa ser.
O Partido Socialista, foi uma Partido que sempre defendeu o não imobilismo. O que está em cima da mesa e é igualmente importante é a descentralização, à qual nós temos que dar devida sustentação na Assembleia da República porque precisamos de consenso para esse debate e é uma lei que carece do apoio de todos os partidos e é fundamental dar-mos mais competências ao municípios e às freguesias. É um debate que tem mesmo de ser feito, somos um dos País mais centralizados da Europa e essa questão é fundamental. Resumidamente, está em cima da mesa, mas ainda em discussão pois requer consensos que não são fáceis de atingir.

"o objetivo é sempre de renovada ambição, nunca pela simples contagem" - Susana Amador

RR - O PS nas autárquicas - O que é um bom resultado? Em concreto, o que é ganhar as eleições?
SA - [risos] Nós tivemos um dos melhores resultados de sempre, portanto 150 Câmaras Municipais, ainda a presidência da ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias) e da ANP (Associação Nacional de Professores). Eu diria que o melhor resultado é manter-mos a presidência da ANAFRE e da ANP, isso significaria que o PS continua a ser o Partido com mais peso Municipal a nível das freguesias. Esse já será um grande resultado. Claro que queremos recuperar Câmaras que perdemos, conquistar outras, no fundo o objetivo é sempre de renovada ambição, nunca pela simples contagem.
Quando um Partido governa a nível local, temos a noção de que a população ganha com essa governação.

RR - O PS nas anteriores eleições autárquicas teve um bom resultado. Se agora tiver menos, será uma decepção?
SA - Obviamente que os partido se fazem para vencer. Quando perdemos uma Câmara ou uma Junta de Freguesia, temos que perceber o porquê da termos perdido e melhorar para a sua recuperação logo no dia a seguir.
O trabalho de eleições começa logo no dia a seguir, com uma agenda permanente, apesar de ter a consciência de que há sítios onde isso é complicado, porque têm o mesmo Partido a governar há algum tempo, e as pessoas já confiam nele. Quando perdemos, o importante é tirar uma lição, já dizia Mário Soares [...] "só é derrotado quem desiste". Portanto, é bom saber que mesmo que possamos perder naquele momento, no dia a seguir começamos a lutar para que aquela perda se transforme numa vitória.

RR - Tem sido evidente que o Presidente Marcelo tem sido um Presidente amigo do Governo de PS. Como as coisas estão, o PS nas próximas eleições deve apoiar o Presidente da República?
SA - [risos] É uma questão interessante, mas difícil de responder. Não sou a pessoa mais indicada para responder, mas o PS sempre teve Presidentes da República próximos do seu ideário, embora o Presidente nunca responda perante nenhum Partido, mas obviamente que esta experiência de governação com o Presidente Marcelo tem sido algo bastante positivo. Tem sido um Presidente muito ponderado, muito preocupado com a estabilidade do País, fica preocupado com os bons resultados económicos do crescimento da economia, é preocupado com a descida continuada do desemprego, com o aumento dos postos de trabalho, ou seja, embora não seja um Partido que seja da sua "família política" (Presidente da República assume ser do PSD), fica sempre feliz pelo facto das pessoas estarem melhor, do País está melhor. Ele consegue sair do "seu" Partido e isso é muito bom. Um Presidente da República deve fazer um esforço para conseguir isso, é muito importante. E o Presidente Marcelo, tem feito isto tudo muito bem, também já esteve contra algumas coisas, é muito coerente nas suas decisões. Dá esperança, serenidade e paz à população.
Depois de termos tido um Presidente distante (Anibal Cavaco Silva), este Presidente assemelha-se muito à presidência de Mário Soares, ou seja, informal, próximo das pessoas, com as presidências abertas. É também um presidente que tem uma vontade e uma disponibilidade que não acabam.

RR - Como é que comenta a liderança de cada um dos partidos? Passos Coelho no PSD, o que é que diz? Assunção cristas no CDS, parece-lhe melhor que Portas? PCP e Bloco?
SA - Em relação a Passos Coelho, acho que ele está refém dele próprio. Para ele, os únicos caminhos com saída eram os que envolviam políticas de austeridade e não conseguiu reconhecer que isso foi excessivo e que produziu resultados inversos. Cultivou a distância entre os portugueses. Passou muitas mensagens erradas, foi-se divorciando do seu País, dos portugueses, dos jovens, dizendo que podiam imigrar, sem necessidade alguma, porque até precisamos muitos dessa juventude. Ele conseguiu dividir os portugueses, foi um divórcio, completamente, e não percebe que as políticas que advoga não são as mais corretas. Há muitos deputados do PSD que nem sequer já se revêem no seu Partido, mas é o que têm e tem de ser assim. Resumidamente, é um Partido em desagregação, que procura um novo líder, um novo rumo.
Relativamente ao CDS, é difícil comparar. Paulo Portas foi uma figura incontornável. Um homem muito bem preparado, excelente comunicador, um político muito qualificado e muito hábil. Reconheço que ocupou o seu espaço na vida política portuguesa e foi de facto um líder que marcou o CDS para sempre. Assunção Cristas, tem algo para mim muito positivo: mais mulheres a liderar um Partido, mais mulheres na política, é muito importante. Em relação à sua liderança, obviamente que é diferente, ela não tem a experiência nem o percurso que Paulo Portas teve, mas no entanto, nós em relação ao CDS identificamos alguma vontade de construção, mais do que aquela que encontramos no PSD. Apesar de serem uma oposição é, a meu ver, uma oposição mais construtiva. Como mulher é muito bem vinda, à semelhança do Bloco de Esquerda com a Catarina Martins, e dos restantes partidos que estão a mudar, acho que para melhor.

"às vezes as democracia absolutas podem originar arrogância absolutas"

RR - Relativamente à geringonça, está a ser o que esperava?
SA - Está a ser muito mais! Não é um exercício fácil, implica abordagens e negociações diárias, para que possamos cumprir o compromisso que temos com todas as forças políticas, o Bloco, o PCP e o PEV. Mas ao mesmo tempo é a demonstração de que a democracia é algo que se contrói diariamente e que às vezes as democracia absolutas podem originar arrogância absolutas. É fundamental que possamos ouvir e acolher contributos. Num modo geral, as diversas sensibilidades e posições enriquecem as políticas e os instrumentos que lhe dão corpo.

RR - Para terminar, que conselho daria a um deputado que se quisesse candidatar a uma Câmara Municipal
SA - Um bom deputado que goste de proximidade com as pessoas, será seguramente um bom autarca. Acho que fui uma melhor autarca, porque passei no grupo parlamentar 10 anos como assessora jurídica e isso permitiu-me conhecer melhor o meu País. A minha experiência enquanto consultora da ONU também foi uma mais valia nesse sentido, trouxe outra bagagem emocional, que me fez perceber os dramas sociais existentes, transportou para a minha vida política os direitos humanos e fundamentais.
Portanto eu acho que sempre que passamos passar por uma boa experiência, será muito bom, pois enriquecemos para novas portas que a vida nos possa abrir.
A proximidade e o saber comunicar com as pessoas também são factores importantes para o percurso de um autarca.